Esta semana eu estava me preparando para minha primeira publicação no blog, lendo alguma notícias sobre a expulsão do lutador Rousimar Toquinho do UFC (provável assunto de uma próxima postagem). Contudo, acabei me deparando com um assunto que me chamou mais a atenção: a greve dos professores no RJ, que já dura 69 dias.
Entre as principais reivindicações dos grevistas está um reajuste que realmente atenda a categoria. O governo municipal propôs um aumento de 8% no salário dos professores, além dos 6,75% já concedidos este ano. Para quem olha de fora pensa: bando de vagabundos, eu nunca tive um reajuste de 14,75% no meu salário em um ano! Entretanto, o que passa despercebido nas entrelinhas é que esse reajuste atende à uma pequena parcela dos professores (menos de 10%), privilegiando aqueles docentes com pós-graduação.
Porém, o que me deixou mais revoltado foi assistir um pedaço do Jornal da Band, do dia 17/10. Na ocasião, o Jornalista Ricardo Boechat se pronunciou, em nome do Grupo Bandeirantes, questionando se vale a pena pagar o preço dessa greve, deixando milhares de alunos da rede pública de ensino sem aula.
Isso me faz refletir nas manifestações ocorridas em junho, onde multidões de pessoas foram as ruas com cartazes "Quero escolas padrão FIFA", "10% do PIB para educação", entre outros. No calor do momento, em um clima de mobilização nacional, parece que todos, inclusive as grandes mídias, estavam empenhados em lutar por uma melhor educação em nosso país. Infelizmente, agora quando temos uma ação efetiva por parte dos professores, uma pauta concreta de reivindicações, o que parece é que a mídia tenta jogar a população contra essa classe trabalhadora, desmerecendo todo esforço e deslegitimando a luta. Pior do que isso é escutar um discurso bastante generalizante e falacioso da população que diz "Eles se tornaram professores porque queriam, mesmo sabendo que o salário é baixo", ou "Trabalhe por amor à profissão".
Deixo aqui meu apoio a todos aqueles que, com muito esforço, estão lutando efetivamente por uma educação melhor para este país. Espero que este seja o início de significativas mudanças e que no futuro tenhamos melhores salários, planos de carreira e benefícios para estes profissionais atualmente tão desvalorizados.
Maycon de Souza

Fácil é em meio à comoção popular o pessoal levantar cartaz dizendo que quer melhorias na educação. Agora quando professor para pedindo mudanças efetivas os pais só pensam que não tem onde deixar os filhos, enquanto a mídia joga uns contra os outros. Simplesmente se esquecem de junho, se esquecem o quanto a educação básica é ruim e o quanto seus filhos sofrem diariamente com isso por um imediatismo manipulado. Parabéns aos professores que mesmo sendo alvos de deslegitimação, mesmo tomando porrada da polícia, mesmo com ameaças de não receberem salários (Santo Fux) ainda encontram forças para lutar. Fico na esperança de uma mobilização nacional para ver o país sacudir de novo...
ResponderExcluirPenso que mesmo lentamente está ocorrendo um processo de amadurecimento com relação ao assunto educação. Mas cuidado não cairmos no clichê mocinho/ bandido ao analisarmos algo tão sério.
ResponderExcluirGostei do post.
Fugir da dicotomia mocinho/bandido é um ato de prudência a ser buscado sempre, muito bem ressaltado. Em relação aos pais, são vítimas como professores. Mas a grande mídia...
ExcluirSobre o negócio dos pais aí, William, lembra do tal homem cordial, que sempre sobrepõe o privado ao público
ResponderExcluirEduardo, não consigo identificar características do homem cordial nesta situação. Isto porque esta teoria, ao meu ver, não consegue plenamente exprimir a questão em específico: o não engajamento dos pais na luta dos professores, ou pelo menos não da maioria. A tese do homem cordial não consideraria dois pontos que acho fundamentais nesta questão: (1) a mídia de massa, que legitima ou deslegitima uma ação sendo poucas vezes vencidas pelo levante popular; (2) a não consciência política das classes (econômicas) mais baixas. Afinal, a culpa é dos professores não é mesmo? rsrs
ResponderExcluirA grande média critica qqer coisa que dá certo ou errado no país. Por isso não a levo muito a sério.
ResponderExcluirJusto. Mas a maior parte da população leva a sério sim, o que torna preocupante ações como a supracitada do jornalista Ricardo Boechat.
ExcluirNunca esqueça que um jornalista é um pj amigo, a opinião no fundo é a do grupo bandeirantes.
ExcluirClaro que tem, Willian, mas não em tudo que falasse. É no sentido de os pais reclamarem de não ter onde deixar os filhos, o que mostra que eles dão mais importância, num momento como esse, a seus problemas pessoais, e não a luta dos professores, que é da esfera pública e abrange um grande número de pessoas.
ResponderExcluirOk, até poderia entender por este lado. Mas me parece que assim você pressupõe que a população tem o entendimento da situação, optando pelo particular ao invés do público. Isso me parece reducionista demais porque considero aqueles dois fatores importantes, entende?
ExcluirMas é claro que o meu pensamento também parece rasamente explicado, com alguns pressupostos e tudo mais. É uma questão complicada
você usa demais a palavra "reducionista" William, nem sempre isso é ruim às vezes apenas a pessoa está apenas sintetizando a sua ideia, entende?
ExcluirNinguém nunca tem completamente o "entendimento da situação". E outra, não importa muito o que o cara sabe ou não sabe. O fato é que ele se preocupa mais com o problema do filho (mini-problema, diga-se de passagem) do que com os professores. É que a gente não pode ver o quadro todo, entende? Nesse recorte que eu fiz, me parece que o homem cordial se encaixa, e que a questão da mídia não invalida isso. Mas, no fundo temos só opiniões diferentes :)
ResponderExcluirEntendo quando um pai escolhe pagar por uma educação de melhor qualidade na escola privada. É uma escolha que só depende dele, já melhorar a educação dá muito mais trabalho.
ResponderExcluir