sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A difícil jornada de Adèle


La vie d’Adéle (Azul é a cor mais quente, português) é um prestigiado filme francês vencedor do último festival de Cannes. A narrativa é rica em detalhes e talvez sua maior virtude seja a intensidade, o foco central da obra é discorrer sobre as dificuldades de Adèle na difícil passagem da juventude a vida adulta. Tema que alias prende a atenção do espectador como se crescêssemos junto com a personagem principal.

A estrutura é caracterizada por três diferentes partes. A primeira corresponde a um período de incertezas, descobertas e de escolhas, momento no qual Adèle encontra Emma e juntas acabam por viver um intenso romance. Apesar de algumas críticas, o diretor (Abdellatif Kechiche) explora de maneira bonita e passional esta passagem da obra.

O segundo momento, seria o da transição. Momento em que a personagem e sua companheira fazem as suas escolhas profissionais e momento no qual acabam por construir uma vida juntas. Na transição desta para a próxima parte é momento no qual Adèle mais amadurece como mulher. 

Isto é nítido na diferença gradativa de visual, que de adolescente, ao final do filme, toma tons de mulher responsável e um pouco mais séria. A crise em seu longo romance toma ares de Un amour de jeunesse (2011), momento no qual os sentimentos se afloram assim como as necessidades de mudança em nossa personagem.

Não à toa esta produção foi premiada com a Palma de Ouro 2013, pois explora de maneira intensa e verdadeira a vida de Adéle  e retrata um tema atemporal: a juventude e a difícil transição para a vida adulta. As duas atrizes Adèle Exarchopoulos (Adèle) e Lèa Seydoux (Emma) merecem todas as reverências por terem abraçado e vivido de forma apaixonante este projeto. Tanto que ao final do filme ficamos com a sensação de “quero mais” à espera de quem sabe uma segunda parte, dessa bela história [que para mim foi a melhor produção cinematográfica da Europa em 2013].



Gustavo H. Schmitt.