sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A difícil jornada de Adèle


La vie d’Adéle (Azul é a cor mais quente, português) é um prestigiado filme francês vencedor do último festival de Cannes. A narrativa é rica em detalhes e talvez sua maior virtude seja a intensidade, o foco central da obra é discorrer sobre as dificuldades de Adèle na difícil passagem da juventude a vida adulta. Tema que alias prende a atenção do espectador como se crescêssemos junto com a personagem principal.

A estrutura é caracterizada por três diferentes partes. A primeira corresponde a um período de incertezas, descobertas e de escolhas, momento no qual Adèle encontra Emma e juntas acabam por viver um intenso romance. Apesar de algumas críticas, o diretor (Abdellatif Kechiche) explora de maneira bonita e passional esta passagem da obra.

O segundo momento, seria o da transição. Momento em que a personagem e sua companheira fazem as suas escolhas profissionais e momento no qual acabam por construir uma vida juntas. Na transição desta para a próxima parte é momento no qual Adèle mais amadurece como mulher. 

Isto é nítido na diferença gradativa de visual, que de adolescente, ao final do filme, toma tons de mulher responsável e um pouco mais séria. A crise em seu longo romance toma ares de Un amour de jeunesse (2011), momento no qual os sentimentos se afloram assim como as necessidades de mudança em nossa personagem.

Não à toa esta produção foi premiada com a Palma de Ouro 2013, pois explora de maneira intensa e verdadeira a vida de Adéle  e retrata um tema atemporal: a juventude e a difícil transição para a vida adulta. As duas atrizes Adèle Exarchopoulos (Adèle) e Lèa Seydoux (Emma) merecem todas as reverências por terem abraçado e vivido de forma apaixonante este projeto. Tanto que ao final do filme ficamos com a sensação de “quero mais” à espera de quem sabe uma segunda parte, dessa bela história [que para mim foi a melhor produção cinematográfica da Europa em 2013].



Gustavo H. Schmitt.

domingo, 27 de outubro de 2013

Um continente de oportunidades




A história desse belo continente é bastante antiga e extremamente entrelaçada com a vida e cultura brasileira, contudo o momento histórico que pretendo tratar é o período contemporâneo das últimas cinco décadas. Por volta de 1960 a grande maioria dos países africanos iniciavam o seu processo de independência, muitas guerras e conflitos armados aconteceram nesse período e inclusive após a independência política por meio de conflitos de grupos separatistas internos.
 Posso citar o caso de Angola que apenas em 2002 conseguiu atingir uma estabilidade política, antes impossível devido a guerra civil. Uma África extremamente jovem e movida por tempos de mudança nascia ai.

Foi a partir do final dos 80 e sobretudo com fim da guerra fria que a África passou a ter o desenho geopolítico como conhecemos hoje. Na verdade esta região possui uma imensa capacidade na área humana, energética, política, tecnológica entre outras. Já algum tempo venho defendendo a tese de que o próximo boom econômico será deslocado da Ásia para a África.

Caro leitor, para que você não ache que isto é apenas uma mera divagação messiânica citarei alguns exemplos emblemáticos da capacidade desta região. A primeiro bom exemplo é o da atitude chinesa frente a este grupo de países. No período de 2000 a 2011 o governo de Pequim investiu cerca de 75 bilhões de dólares* em todo o continente africano, Indo na contramão de investidores tradicionais o governo chinês construio uma série de parcerias em setores sobretudo na área de energia e construção civil.

Um bom exemplo da parceria da energia é o caso do pequeno Gabão. Este pequeno país da África Central tem pouco mais de uma milhão de habitantes e alcançou sua a independência na intensa onde de mudanças da década de 1960. A Partir dos anos 1990 a China teve de buscar novas parcerias na área energética, por isso recentemente firmou uma série de acordos com o Gabão. Seu solo é muito rico em gás natural e petróleo, motivo que fez com que Pequim visse nesse país um possível parceiro comercial. O governo federal utiliza boa parte dos recursos da exportação desses bens para revitalização da infraestrutura e mobilidade de sua nação e os esforços já começam a ser sentidos na capital Libreville

Um outro exemplo importante é o da Angola. Esta nação, também de língua portuguesa, conseguiu se tornar independente em 1975 mas ficou ainda muitos anos mergulhada em uma intensa guerra civil que destruiu boa parte de seu território. A Angola hoje, apesar de ainda possuir traços e características de seu difícil passado, mostra-se um país novo, revigorado. Uma das principais áreas que crescem no país é o da construção civil. Muitos investimentos de empresas chinesas e brasileiras ocorrem nesse setor que cresce muito a cada ano, mudanças que podem ser sentidas na cidade de Luanda.

Após eventos pontuais gostaria de destacar o papel do Brasil nesse processo de investimento e redescoberta da África. Empresas na área da construção civil como a Odebrecht tem feitos investimentos gigantescos como pode ser observado no caso angolano. Empresas na área de energia estão buscando novos investimentos em parte dos 54 países. Com relação ao governo federal, posso destacar o papel do Itamaraty em buscar novas parcerias na área econômica, cultural e política na África, uma prova disso é crescente números de postos espalhados ao longo do continente. Não só isso mas o governo brasileiro tem buscado nos países africanos novas possibilidades que vão além do Mercosul, Ásia e União Europeia. A África possui enormes potencialidades, em diversos outras áreas que não pude destacar aqui.
 Para finalizar gostaria dedicar a esta parte final a um exemplo de tudo que disse acima, o programa da Band:





*dado do governo chinês no site [cnn.com].
                  
                    Gustavo H. Schmitt

sábado, 19 de outubro de 2013

República Federativa do Brasil



O meu Brasil não é o de Vinicius, Tão pouco o de Bandeira.
 O meu Brasil é a terra da criatividade, Do povo trabalhador.
 Da velha dona de casa que quer sempre o melhor para os seus filhos.
O meu Brasil não é potência mundial, Tão pouco orgulho nacional.

 O meu Brasil, É o do maranhense, paulista e catarinense.
O meu Brasil, É terra do poeta com as mãos sujas de tinta.
 Da velha lavadora de roupas com os calos na mão, devido a intensa lavação.
O meu Brasil não é a sétima economia mundial
 O meu Brasil, é o septuagésimo em desenvolvimento humano.
 É o país da saúde e da educação de um país africano.


Gustavo H. Schmitt.  Blumenau/SC - 2011.



Uma homenagem ao centenário de um dos maiores poetas da língua portuguesa:
 Vinicius de Moraes (1913-2013)
 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Afinal, a culpa é dos professores!



Esta semana eu estava me preparando para minha primeira publicação no blog, lendo alguma notícias sobre a expulsão do lutador Rousimar Toquinho do UFC (provável assunto de uma próxima postagem). Contudo, acabei me deparando com um assunto que me chamou mais a atenção: a greve dos professores no RJ, que já dura 69 dias.
         
Entre as principais reivindicações dos grevistas está um reajuste que realmente atenda a categoria. O governo municipal propôs um aumento de 8% no salário dos professores, além dos 6,75% já concedidos este ano. Para quem olha de fora pensa: bando de vagabundos, eu nunca tive um reajuste de 14,75% no meu salário em um ano! Entretanto, o que passa despercebido nas entrelinhas é que esse reajuste atende à uma pequena parcela dos professores (menos de 10%), privilegiando aqueles docentes com pós-graduação.
          
Porém, o que me deixou mais revoltado foi assistir um pedaço do Jornal da Band, do dia 17/10. Na ocasião, o Jornalista Ricardo Boechat se pronunciou, em nome do Grupo Bandeirantes, questionando se vale a pena pagar o preço dessa greve, deixando milhares de alunos da rede pública de ensino sem aula.
         
Isso me faz refletir nas manifestações ocorridas em junho, onde multidões de pessoas foram as ruas com cartazes "Quero escolas padrão FIFA", "10% do PIB para educação", entre outros. No calor do momento, em um clima de mobilização nacional, parece que todos, inclusive as grandes mídias, estavam empenhados em lutar por uma melhor educação em nosso país. Infelizmente, agora quando temos uma ação efetiva por parte dos professores, uma pauta concreta de reivindicações, o que parece é que a mídia tenta jogar a população contra essa classe trabalhadora, desmerecendo todo esforço e deslegitimando a luta. Pior do que isso é escutar um discurso bastante generalizante e falacioso da população que diz "Eles se tornaram professores porque queriam, mesmo sabendo que o salário é baixo", ou "Trabalhe por amor à profissão".
           
Deixo aqui meu apoio a todos aqueles que, com muito esforço, estão lutando efetivamente por uma educação melhor para este país. Espero que este seja o início de significativas mudanças e que no futuro tenhamos melhores salários, planos de carreira e benefícios para estes profissionais atualmente tão desvalorizados.


Maycon de Souza

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Os dois lados da moeda verde

Venho aqui hoje propor a você, leitor, leitora, uma análise de uma música. Um clássico do nosso sertanejo: Saudade da Minha Terra, eternizada na voz dos mais variados intérpretes. Escolho aqui uma bela versão de Chitãozinho & Xororó (Link aqui: http://www.youtube.com/watch?v=LSRMQQF-wnU). Agora, escute a música uma vez, de olhos fechados. Preste atenção em cada verso.
É linda, não é? “Cortar” a estrada no galope de um cavalo, escutar o sabiá cantando, passear nas lagoas de águas cristalinas, as lembranças das festanças, o galo cantando, a lua prateada, a relva molhada. É o paraíso, não é? Definitivamente, não.
Primeiro, porque penso que não existe perfeição. Segundo. Porque, apesar de toda esta beleza, o interior, o sertão, o campo, não se restringe a isto. Lembrem-se: o meio rural é um dos lugares mais tradicionais imagináveis. Pensemos num sujeito avesso as tradições de nosso povo, um sujeito “diferente” do “ocidental normal”. Pois bem, ele é homem, gay, usa brincos, tem cabelo moicano pintado de verde. Usa jaquetas de couro e delineador nos olhos. Você acha, sinceramente, que ele seria bem aceito pelos moradores de uma comunidade rural?
Não, não seria. Porque em lugares tão arraigados na tradição, não há espaço para o diferente. Cresci numa pequena cidade, e, acreditem, nunca vi duas pessoas do mesmo sexo se beijarem lá. É claro, não haverá um grupo de camponeses com tochas na mão avançando sobre sua casa, mas se prepare, se você quer ser diferente lá. Você não será bem recebido numa mesa de jogos, ou mesmo no “boteco” do lugar. Você pode até ter um ou dois amigos, mas as outras pessoas ficarão fazendo comentários depreciativos sobre você nas suas costas. Voltemos a musica. A religião está lá, pois é fundamental participar da vida religiosa numa comunidade rural. “Por nossa senhora”, “Eu sou bem guiado pelas mãos divinas”.
Ou seja, o negócio funciona de dois modos. É lindo, mas é cruel. Por isso, fica o “alerta”: não idealize algo que você não conhece (Talvez até mesmo o que você conhece, mas isto é assunto para outro momento). Você pode acabar se decepcionando.

O Sargento Garcia e a glória de Bogotá



Uma das principais histórias da literatura, “Zorro” foi eternizado nos anos sessenta quando milhares de pessoas puderam acompanhar a sua série televisiva. A história se passa na Califórnia do século dezenove onde o herói mascarado defende o interesse dos oprimidos, num período em que o Estado passava pouco a pouco a se tornar território americano.

 Dentro desta bela narrativa se encontrava o Sargento Garcia, comandante das tropas que faziam a segurança californiana e principalmente atendiam os interesses dos caudilhos locais, principais rivais do herói mascarado.

Contudo, não é exatamente deste Garcia que pretendo me dedicar neste texto. Resolvi dedicar espaço ao atacante da seleção colombiana e do Mônaco (França), o goleador chamado Falcão Garcia. Apesar de pouco badalado ele obteve excelente passagens pelo Porto (Portugal) e Atlético Madrid (Espanha) onde foi artilheiro e goleador de diversas competições.

Na última semana ele foi protagonista no empate por 3 a 3 da seleção colombiana com o Chile, onde ele marcou dois gols e garantiu a classificação para a copa de 2014, competição que a Colômbia disputou pela última vez em 1998. Ano que vem o público brasileiro e internacional, poderá ver perto aquele que, para mim,é o melhor camisa 9 da atualidade e já há dois anos se transformou em uma glória para Bogotá.
                                              
                                                         Gustavo H. Schmitt