Venho aqui hoje propor
a você, leitor, leitora, uma análise de uma música. Um clássico do nosso
sertanejo: Saudade da Minha Terra, eternizada na voz dos mais variados
intérpretes. Escolho aqui uma bela versão de Chitãozinho & Xororó (Link
aqui: http://www.youtube.com/watch?v=LSRMQQF-wnU).
Agora, escute a música uma vez, de olhos fechados. Preste atenção em cada
verso.
É linda, não é?
“Cortar” a estrada no galope de um cavalo, escutar o sabiá cantando, passear
nas lagoas de águas cristalinas, as lembranças das festanças, o galo cantando,
a lua prateada, a relva molhada. É o paraíso, não é? Definitivamente, não.
Primeiro, porque penso
que não existe perfeição. Segundo. Porque, apesar de toda esta beleza, o
interior, o sertão, o campo, não se restringe a isto. Lembrem-se: o meio rural
é um dos lugares mais tradicionais imagináveis. Pensemos num sujeito avesso as
tradições de nosso povo, um sujeito “diferente” do “ocidental normal”. Pois
bem, ele é homem, gay, usa brincos, tem cabelo moicano pintado de verde. Usa
jaquetas de couro e delineador nos olhos. Você acha, sinceramente, que ele
seria bem aceito pelos moradores de uma comunidade rural?
Não, não seria. Porque
em lugares tão arraigados na tradição, não há espaço para o diferente. Cresci
numa pequena cidade, e, acreditem, nunca vi duas pessoas do mesmo sexo se
beijarem lá. É claro, não haverá um grupo de camponeses com tochas na mão
avançando sobre sua casa, mas se prepare, se você quer ser diferente lá. Você
não será bem recebido numa mesa de jogos, ou mesmo no “boteco” do lugar. Você
pode até ter um ou dois amigos, mas as outras pessoas ficarão fazendo
comentários depreciativos sobre você nas suas costas. Voltemos a musica. A
religião está lá, pois é fundamental participar da vida religiosa numa
comunidade rural. “Por nossa senhora”, “Eu sou bem guiado pelas mãos divinas”.
Ou seja, o negócio
funciona de dois modos. É lindo, mas é cruel. Por isso, fica o “alerta”: não
idealize algo que você não conhece (Talvez até mesmo o que você conhece, mas
isto é assunto para outro momento). Você pode acabar se decepcionando.
Imagina quando a logica da cidade pequena, era a lógica do país... e isso não faz nem 100 anos.
ResponderExcluirMas esse modo tradicional de se relacionar tem seu valor, é bom lembrar
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