segunda-feira, 14 de outubro de 2013

REDE e PSB: uma nova política?




 Foto: Reuters

É indiscutível que a eleição presidencial do ano que vem será uma das mais interessantes das últimas décadas. Digo isto, pois a polarização PTxPSDB tem grandes chances de se diluir, transformando-se assim em um novo arranjo triangular que, ao meu ver, será um enriquecimento no debate democrático.

Sendo assim, podemos citar como a peça chave para este cenário político a ex-senadora Marina Silva. Surpresa do último pleito presidencial, com quase 20 milhões de votos, a ecologista iniciou em fevereiro deste ano a criação de uma nova legenda com claros objetivos de uma candidatura direta em 2014.

Contudo, o tempo não foi suficiente para homologação do mínimo de assinaturas exigidas para a próxima eleição. Após o julgamento do TSE no dia 3 de outubro, parecia restar à Marina poucas opções: (A) resignar-se de sua condição, lamentando os métodos arcaicos de validação de assinaturas nos cartórios eleitorais e esperar pelo crescimento orgânico do seu partido a partir de 2016 ou (B): filiar-se a um partido menor, como os abertamente dispostos PEN e PPS, obtendo grande autonomia dentro destas legendas, embora isso viesse a distanciar a sua prática do seu discurso.

O que ninguém esperava (e não adianta dizer que já sabiam!) era uma terceira opção, vulgarmente intitulada como o plano C, de Campos. A aliança entre REDE e PPS foi um espanto para todos, principalmente aos adversários políticos que já comemoravam a derrocada de Marina Silva.

Sobre a aliança em si, não há muito que dizer. Primeiramente, méritos para ex-senadora que, ao contrário do que muitos pensam, é uma grande política provando ter um excelente poder de articulação. Se foi uma decisão acertada, parece cedo para julgar. A princípio a aliança se mostra bastante coerente, embora seja certo que os dois partidos terão muito trabalho para construir uma coligação amalgamada em valores comuns. Não há dúvidas do pragmatismo político nesta ação (e uso pragmatismo sem nenhum juízo de valor), mas só o tempo dirá se é realmente uma aliança programática como não cansa de repetir Marina. 

Bom para nossa democracia, ruim para os adversários.

Willian de Souza

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